17 de fev de 2011

A Operação - 08/02/2011

Operei no Hospital Professor Edmundo Vasconscelos, em São Paulo, pelo Dr. Paulo Regina, que realizou a Cirurgia de Fobbi/Capella em cerca de 3 horas, me enviou para observação para voltar da anestesia e depois ao quarto, já que não acharam que haveria risco por causa da minha Apnéia do sono, já que eu havia levado minha máquina de CPAP para o hospital. Sim, eu durmo com esta máquna desde Junho/2010 porque sou gordo.
A operação em si é complicadinha e foi feita por Vídeo Laparoscopia (6 furinhos na barriga).
Basicamente o estômago é cortado, ficando só um Estomagueto funcional e o Estomagão continua ali parado e alimentado, porém sem utilização. Uma alça e Y do intestino sobe e é ligado ao estomagueto, reduzindo a capacidade e a absorção.
Depois que fiquei sabendo porque eles precisavam que eu tratasse do H Pilori (bactéria cancerígena do Estômago), e era porque o Estomagão (agora inútil) fica ali dentro fechado e não dá pra acompanhar por endoscopia qualquer desenvolvimento de possível Câncer dentro dele pois o mesmo está fechado agora.
Os acontecimentos foram assim: Na sala de cirurgia encontrei o médico cirurgião e o anestesista e me puseram para dormir. Não vi mais nada. Acordei na recuperação, com dores na garganta pois havia sido entubado e com muita sede. A enfermeira molhava meus lábios com gotículas de soro, e só. Cheguei no quarto grogue e com dores na garganta, me doparam e apaguei. Acordava de vez em quando e pedia para molharem gaze com água e colocarem sobre meus lábios. Com o CPAP sempre ligado, dormi.
Acordei no outro dia.

DECISÃO DE OPERAR

Nasci em 1978 grande e cresci até os 4 anos de idade bem magro e esguio. À partir desta época, minha avó decidiu que eu precisava engordar e passou a me dar todos os tipos de abridores de apetites da farmácia, como Biotônico Fontoura, Solução Scotch, Óleo de Fígado de Bacalhau, etc. Além da doutrina de guerra de que não podia ser deixada comida no prato, que era pecado, que tinha gente passando fome no mundo, etc.. Acho que os medicamentos e a lavagem cerebral estão fazendo efeito até hoje.
Passei a infância gordo, a adolescência gordo e meus primeiros anos de adulto gordo. Mas saudável.
Em 2006, com 27 anos, pesando cerca de 120Kg, comecei a sentir desconfortos que posteriormente descobri serem decorrentes dos efeitos da Pressão Arterial elevada.
Nunca tive nenhum problema anterior decorrente do excesso de peso, sendo que meus exames de sangue sempre deram nos niveis normais, inclusive de glicose e colesterol. Pratiquei esportes esporadicamente durante toda minha vida, principalmente Musculação e Natação, sendo que ultimamente vinha cada vez mais faltando às aulas, mesmo que pagasse por elas.
Certo dia, após uma crise nervosa, sofri uma crise de Pressão Alta que me levou à Emergência do Hospital e tive que ser medicado e ficar em observação. O Médico do PS me disse para ir a um Cardiologista com urgência, senão poderia "ir pro saco" em breve, caso tivesse um infarto nessa idade.
Como o melhor incentivo para qualquer pessoa ir ao médico é o medo, e eu estava me cagando de medo naquele momento, eu fui. Fiz exame de Holster pedido pelo Cardiologista, e foi verificada que minha pressão arterial estava em média 15x10. Tinha 29 anos de idade, fumava quase 1 maço por dia, já trabalhava como advogado, e sentia grande prazer em comer e passava nervoso e pressões durante a maioria do dia. Obtido o diagnóstico, passei a tomar Micardis 40mg 1x ao dia para controlar a pressão. Lógico que o médico pediu para eu perder peso, mas como veria depois, todos os problemas que tive dali para a frente, fui orientado a perder peso, inclusive um início de calvice!?!?
O ronco ao dormir já incomodava minha esposa (namorada na época) e o otorrino que eu fui me disse que eu tinha que perder peso...hahahaha..novidade.
Conversei com uma amiga que havia feito a cirurgia de Fobi/Capella (que é uma espécie de Redução do Estômago, que pode-se ver aqui uma explicação reduzida: http://www.maciel.med.br/Arquivos/Paginas/Tecnica%20Capella.htm). Sempre achei que uma operação que abrisse a pessoa e cortasse um pedaço de dentro dela, seria apenas para casos em que a pessoa estivesse morrendo, e os demais seriam para aqueles que têm preguiça de malhar ou fazer regime.
Ledo engano. Conversando com ela pude ver que não se trata apenas de uma cirurgia que facilitaria o emagrecimento, mas sim uma modificação do corpo para que a pessoa não só possa fazer regime sem tomar remédios com anfetamina (que detonam o cérebro), mas que permitia que houvesse uma modificação forçada do meio de alimentação da pessoa. Tal modificação eu percebi de cara que era decorrente de duas coisas: 1)não cabe mais o mesmo tanto de comida e 2)se couber pode estourar tudo por dentro, o que gera MEDO. Aí sim estava a chave do negócio: o Medo!
Nunca tive medo de comer na vida. Fui incentivado desde pequeno a deixar o prato limpo, e com o tempo tive que aprender a comer rápido para não perder tempo, o que gerou grande companhia de bebidas durante as refeições (senão engasgava). Sempre testei meus limites gastronômicos, mesmo quando estava saciado, para saber se poderia comer mais, principalmente em rodízios e festas. Mesmo porque, eu já havia feito vários regimes e sempre perdi grande quantidade de peso em pouco tempo reduzindo a quantidade de alimentos ingeridos e aumentando a quantidade de exercícios.
O Problema foi quando mesmo reduzindo a comida e aumentando os exercícios o peso não diminuia mais. Ou seja, estava ficando mais velho e o metabolismo não respondia mais.
Suplementos como FatBurners à base de Efedrina podiam até fazer efeito, mas a Pressão Alta não deixava que eu tomasse tais medicamentos ou podia ter um treco.
Bom, decidi ir à clínica do médico que operou minha amiga e fui à GastroServ quando ainda era na Rua Conceição. Chegando lá descobri que meu plano de saúde Unimed não era aceito, mas mesmo assim fiz todos os exames que eles queriam, fiz acompanhamento psicológico e de nutricionista e estava determinado a operar, afinal estava com IMC=38,5 mas tinha a comorbilidade da Pressão Alta que permitia que eu fizesse a Redução de Estômago.
A vida deu suas viravoltas, a grana encurtou um pouco e eu entendi que aquilo pudesse ser um sinal para que eu tentasse mais uma vez fazer um regime com exercícios e esquecesse a operação. E assim o fiz. Reduzi meu peso e passei a conviver melhor comigo, indo à academia e vendo que aquilo era mesmo o melhor caminho. Pesei 110/115Kg mas estava indo à musculação e estava bem.
No inverno de 2008 comecei a deixar de ir tanto à academia e passei a comer mais em decorrência do frio. Parecia que tinha esquecido do passei e aumentei meu peso para 125Kg.
Em 2009 quando decidi casar, voltei a fazer dieta de novo, acompanhado pela Endócrino, que me receitou Anfepramona. Que beleza. Sem fome e indo à academia reduzi drasticamente meu peso e casei em Outubro de 2009 com 115Kg.
Já na Lua-de-mel comecei a comer tudo o que tinha vontade, afinal estava em Paris, um paraíso gastronômico, e no outono. O frio sempre ajudou a abrir o apetite, mas para este gordo aqui, era como se eu fosse ser eletrocutado e tivesse na frente a última refeição em todas as refeições e lanchinhos também.
Em Maio de 2010 estava com quase 130Kg, tive uma crise de dor nas costas e descobri que estava com Hérnia de Disco por causa do peso. Voltei à GastroServ determinado a operar. Tive que fazer diversos exames: Endoscopia com biópsia, Ultrassom do abdomen, Exames Cardiológicos e de Sangue completo, Polissonografia e de Função Pulmonar e outros que encheram uma pasta com cerca de quase 50 folhas de exames no fim das contas. Descobriram então que eu estava com: 1)Esteatose Hepática III (quase Cirrose) de tanta gordura no Fígado; 2)Apnéia do Sono com 86 eventos por hora de sono, ou seja, não dormia mais; 3) Refluxo Gástrico que causou Gastrite Crônica no Esôfago; 4)Continuava com a Pressão Alta; 5)Hérnia de Disco na L4-L5. E o melhor: tudo decorrente do sobrepeso.
A cirurgia era mais do que necessária, porém o Plano de Saúde não queria autorizar a cirurgia de forma alguma. Processei o Plano e consegui Liminar para operar apenas em Janeiro de 2011, mas aí já havia tido uma crise da Hérnia de Disco no Final do Ano que me levou de Ambulância ao PS. descobri depois que havia estourado outra Hérnia na L5-S1. Agora eram duas, doendo demais e só controlada com remédios muito fortes e também com Anti-depressivos.
Isso não era vida, de forma alguma.
Operei dia 08/02/2011.